Quando alguém desponta acima da sebe desse jardim à beira-mar plantado, logo surgem os “jardineiros” com as suas tesouras de poda. Luís Paixão Martins

Vaga de fusões e aquisições nas petrolíferas

Segunda-feira, 14 de Abril de 2008 às 8:57

Em 2004 a Repsol adquiriu toda a rede de distribuição da Shell em Portugal, acabando a Galp por ficar com a totalidade da rede Shell em Espanha. Já a rede de distribuição de combustíveis da marca AGIP em Portugal e Espanha foram vendidas à Galp em meados de Outubro do ano passado.

Soube-se agora que já há três meses que a Galp anda em negociações com a ExxonMobil para comprar a totalidade dos activos e a respectiva rede de distribuição de combustíveis da Esso, igualmente em Portugal e Espanha.

Esta dança de fusões que a Galp tem vindo a preparar e a concretizar até poderão ser compreensivas no que ao mercado espanhol diz respeito. Mas e em Portugal? Que sentido faz a empresa dominante, com maior quota de mercado, andar em consecutivas aquisições de marcas e redes de abastecimento menores? Onde está a Autoridade da Concorrência?

Na passada semana a Cepsa e a Total concretizaram um acordo que originará a fusão das marcas e da rede de distribuição em Portugal que irá operar sob a dupla marca Cepsa/Total, dando origem a um player com 11% de quota de mercado com um total de 1791 pontos de venda.

Com um menor número de players no mercado a concorrência diminuirá, aumentando o risco da prática de um oligopolismo. E já que a Autoridade da Concorrência não reage, cabe-nos a nós consumidores tomarmos uma posição: ou a posição que a imagem que acompanha este artigo ilustra; ou uma posição activa, onde se fomenta a concorrência de preços entre postos de abastecimento, e para isso o Mais Gasolina é a melhor ferramenta que temos à disposição.

E caso não tenham reparado nas estatísticas do Mais Gasolina, neste momento estamos com o valor médio de preços mais alto deste ano.

Comentários dos leitores

  1. José Santana |

    Temos valores que teimam em subir, querem-nos cortar com a concorrência, e o consumidor a ter de se sujeitar…

    Realmente esta “dança dança” das petrolíferas só a eles lhes interessa, pois a nós só nos limita, a ver vamos.

    Tal como disse num comentário no blog do Eduardo, felizmente temos o Mais Gasolina que me permite, não só a mim mas a todos, pregar grandes fintas aos preços indo de encontro ao posto com valores mais acessíveis.

  2. Eduardo Maio |

    Se existem aquisições que até consigo compreender, como no caso da Repsol e da Shell, com a AGIP já não percebo, principalmente quando existem postos com Galp perto que continuam abertos, e outros que tinham os preços mais baixos da área onde não existe Galp e estavam sempre cheios acabaram por encerrar.

    A Repsol aproveitou o know-how deixado pela Shell para se afirmar como a referência em GPL Auto, só não ficou com know-how suficiente para fazer uma V-Power espanhola…

  3. Luís Castro |

    Daniel,
    assunto não está esquecido.
    Abraço
    Luís Castro

  4. Daniel Marques |

    Luís, quanto me honra esta visita.

    Obrigado.

  5. Eduardo Maio |

    Já agora, em relação ao aumento do preço do combustível, na realidade o preço do barril serve para especulação porque o que está realmente a alterar os preços é o aumento do custo da refinação do petróleo. Actualmente os combustíveis refinados têm que ter um baixo teor de enxofre (cerca de 10ppm ou menos) e o petróleo com pouco enxofre (sweet) é cada vez mais escasso tendo assim as refinarias que recorrer a petróleo com um ppm de enxofre superior (sour) saíndo assim mais cara a sua refinação.

    O gasóleo é um produto com elevado teor de enxofre, o que é vendido actualmente tem entre 100 a 50ppm, até a gasolina 95 está gradualmente a passar de 50ppm para 10ppm. A gasolina 98 em geral (Galp, BP, Repsol, Total) já tem 10ppm de enxofre ou menos.

  6. José Santana |

    Eduardo, palpita-me que ele elevado teor de enxofre não seja nada bom para o ambiente, ou estou errado?

  7. Eduardo Maio |

    Está directamente relacionado com as emissões de NOx, provoca chuvas ácidas e particulas suspensas no ar que causam problemas respiratórios e cancros pulmonares.

    Os barcos (cargueiros, petroleiros) usam gasóleo com 500ppm, também estes vão ser obrigados a usar combustível com baixo teor de enxofre.

  8. José Santana |

    Eduardo, obrigado pelo esclarecimento.
    Não tinha mesmo noção desses valores.

    Realmente depois surge a questão da fiscalização nesses cargueiros. Será que haverá fiscalização a medir esses níveis de teor de enxofre no combustível utilizado?

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