Carvão como substituto do petróleo e do gás natural
Terça-feira, 25 de Março de 2008 às 14:01
A China tem sido um chamariz no que ao sector químico diz respeito, muito devido ao facto do seu mercado encontrar-se em expansão e à mão-de-obra barata. Mas a China tem mais uma coisa para além disto, tem enormes reservas de carvão.
Com o carvão disponível em grande quantidade, aponta-se para uma gradual substituição do petróleo e do gás natural como matéria-prima na produção química. Como resultado, nos últimos dois anos a China construiu 20 centrais capazes de converter carvão num gás que poderá ser usado, por exemplo, para o fabrico de plásticos e produtos farmacêuticos.
Como a procura não pára de crescer, o carvão que anteriormente era uma fonte de energia barata, neste momento já começa a tornar-se cara tendo inclusivamente já ultrapassado o preço do petróleo.
A Ásia continua com um crescimento galopante e o petróleo já começa a não dar conta do recado. Paralelamente, verificam-se políticas energéticas erradas e stocks baixos, o que originou já a uma valorização de 50% do preço do carvão nos últimos cinco meses.
A exportação desta matéria-prima está a dar muito dinheiro, de tal modo que levou já à reactivação de velhas minas de carvão que anteriormente tinham sido dadas como obsoletas, onde os compradores assinam contractos a longo prazo a preços elevadíssimos.
A extracção do carvão é de alto risco, levando à morte de centenas de mineiros todos os anos, quer pelo desabamento de galerias nas minas, quer por doenças profissionais. Acrescente-se a tragédia ambiental que isto acarreta, sendo o carvão o mais poluente dos combustíveis.




A extracção de carvão é de alto risco porque as minas não são obrigadas a seguir procedimentos exigentes de segurança e ambiente. Na China acresce que a mão de obra é vilmente explorada. Viu-se há pouco tempo uma greve numa mina na Zâmbia contra a administração da mesma, chinesa, que achava que as regras (poucas aliás) existentes na Zâmbia não se aplicavam a uma mina orientada por chineses. A administração teve que ser evacuada.
Uma das razões de morte é numa mina de carvão haver risco potencial de explosão devido a gás quando não são arejadas convenientemente as frentes de trabalho.
Algo que se está a tentar pesquisar é a possibilidade de exploração das minas de carvão como se de minas de gás se tratassem empregando microorganismos para transformar o carvão em gás. Isto reduziria o risco, para algo próximo do risco de exploração de gás natural (que não é propriamente isento de riscos).
Um abraço!
Carlos, obrigado por mais este excelente contributo que vieste dar à discussão.
Um abraço
É apenas mais um retrocesso em termos ambientais, engraçado como na China nestes assuntos eles são ou 8 ou 80, tanto apostam numa frota imensa de autocarros a células de combustível com uma parceria entre a Mercedes e a BP/Aral/Linde como fazem centrais eléctricas a queimar carvão.