Biodiesel é brincar com a comida
Segunda-feira, 24 de Março de 2008 às 8:57
Usar matérias-primas vulgarmente destinadas à alimentação para produção de combustível, pode trazer-nos mais problemas do que aqueles que agora tentamos resolver. Numa tentativa de inverter o aquecimento global, o homem neste momento mostra-se disposto a queimar a sua própria comida, o que levanta a questão do biodiesel antecipar uma catástrofe humanitária sem precedentes.
Se nos países pobres actualmente as pessoas já encontram dificuldades em se alimentarem, onde umas rotineiramente têm fome e outras acabam mesmo por morrer, e mesmo nos países mais prósperos já verificamos um assustador aumento do preço dos alimentos, o que acontecerá se desviarmos parte de um bem já por si escasso no mundo para a produção de combustíveis? Onde o bem é escasso, tornar-se-á inexistente. Onde este existe mais abundantemente, sofrerá uma escalada de preços que arruinará a economia do mais rico dos países.
Existe uma cegueira quando falamos em “bio”, que é sempre associado a ecologia, logo, teoricamente uma vantagem ambiental. Existe uma deficiente divulgação do conceito do biodiesel, como este se obtém e o que originará a sua produção em massa. Paralelamente ao galopante investimento que vem sendo feito para criação de energia a partir de alimentos, vemos a ONU insistentemente a divulgar relatórios que apontam para uma rápida diminuição da alimentação disponível no mundo.
A questão é simples: ou procuramos alternativas sustentáveis para produzir energia, ou esgotamos a capacidade dos solos com a produção intensiva de matéria-prima vegetal, e trazemos a fome até nós.
Não fará sentido que ao se corrigir um problema que se julga ser provocado pelo homem, se crie outro, atingindo algo tão fundamental para a humanidade como o abastecimento alimentar. Se humanamente é possível “salvar o planeta”, então que se tomem medidas a curto prazo, com a sensatez e a inteligência que tanto têm faltado nas decisões de política energética.




Nunca tinha pensado o assunto dessa forma… E realmente dá que pensar.
Tapamos um barulho, fazendo outro ainda maior.
Fizeste um comentário pertinente…
Espero que “quem move o mundo” pense nisto atempadamente.
É lixado que, a nossa maior capacidade (o engenho e constante evolução humana), é a nossa maior desgraça.
Nós arranjamos sempre remendos para o mal que fizemos mas já está na hora de pensar/agir pro activamente!
Hugz,
Luís
É isso aí… o milho ligado à bomba de gasolina traz todos esses problemas de que falas. felizmente há outras formas de cultivo mais válidas para substituir gradualmente a dependência de petróleo. Henry Ford usava óleo de cannabis, há quem use óleo alimentar recuperado de restaurantes, há outras espécies oleaginosas que substituem o gasóleo com diversos resultados. Na Europa parece haver mais variedade de soluções do que nos EUA devido às redes de transportes públicos e ao uso de motores diesel em automóveis particulares.
Os biocombustíveis têm poucos anos no mercado e no entanto graças a eles já temos um aumento dos cereais, dos açucares e do óleo vegetal. Tendo em conta que as gasolineiras já podem fazer misturas até 5% sem avisar o cliente, as emissões acabam por ficar iguais e o preço o mesmo não vejo qualquer interesse no biodiesel.
Só concordo com a reciclagem de óleos previamente usados para combustível, aí sim fazem um favor ao ambiente uma vez que estes óleos são altamente prejudiciais para os nossos solos e para as nossas fontes de água potável.
Os biocombustíveis são um erro e não me canso de o dizer, é pena que com alternativas viáveis se continue a apostar em soluções de recurso.
Bio-diesel na sua concepção inicial é um combustível amigo do ambiente. E com esta ideia acompanha portanto a ideia de que será mais ecológico á saída do escape do automóvel, mas mais importante ainda, proveniente de desperdícios alimentares e “não subtraído da nossa própria alimentação”.
O actual bio-diesel é feito a partir de óleo usado (no caso do óleo alimentar). Este também pode ser usado como aditivo num depósito de gasóleo (óleo “novo”) em percentagens pequenas e sim há bem pouco tempo o óleo estava mais barato.
A ideia que quero deixar é a de que: combustíveis ecologicos a partir de residuos alimentares: SIM ; mas aumento de bens alimentares á custa disso; NÃO.
Eu estou de acordo que para a produção de biodiesel se use apenas óleo usado e que já não serve para alimentação.
Diogo, nem todo o biodiesel é feito com óleo usado, isso é que me preocupa. Há quem vá aos supermercados encher o carro de compras com embalagens de óleo Fula porque é mais barato que o gasóleo. Inclusivamente já se verifica alguns supermercados a limitarem as unidades por cliente.
Um post deveras interessante, principalmente pelas questões levantadas.
No entanto, quero realçar um ponto. O problema da fome a nível mundial não se pauta pela falta de alimento, mas sim pelo desperdício e localização errada deste. Existe de facto quantidade suficiente para alimentar todo o planeta, o que se passa é que a grande maioria dos cereais se encontra nos países desenvolvidos, sendo vendido nestes e pouco enviado para países mais pobres. É o egoísmo capitalista que assim gere a alimentação.
Um outro problema deste biocombustíveis é a poluição. Podem poluir menos no escape do automóvel, mas o processo de fabrico dele é sujo! Temos como exemplo o Brasil e o etanol obtido a partir da cana sacarina. É tudo muito bonito, eles conseguem extrair o etanol e produzir o açúcar sem complicações, no entanto, tudo começa na colheita. Os campos são queimados para afastar os animais, principalmente as cobras. As usinas emitem enormes quantidades de poluentes para a atmosfera, o que ao fim e ao cabo, vai dar em quê? talvez mais poluição ainda.
Existem outros métodos para produção de biocombustíveis, como por exemplo, a partir de algas. E porque não aproveitar a fermentação alcoólica de leveduras como as da cerveja ou vinho para produzir combustível? Há projectos-piloto para estas alternativas. É preciso é continuar a investigar e apoiar estas soluções.
Hugo S.,
A propósito das algas: Galp investe 2 milhões para produzir biocombustível a partir de microalgas
O assunto é deveras pertinente e como tal poderá dar origem a alguns mal-entendidos que seria bom esclarecer:
Quando se fala que alguns produtos estão a aumentar de preço devido ao uso como combustível é preciso ter cuidado com os pressupostos porque poderão não estar muito certos.
No espaço europeu assistimos neste momento a um inusitado aumento dos produtos, farinhas e óleos por exemplo, que não tem rigorosamente nada a ver com este uso mas sim com a política que foi seguida pela CEE nos últimos anos.
Alguns países, como Portugal, viram a produção de grão serem reduzidas a quase zero devido à super abundância em países como a França. Após duas décadas de contenção e completo abandono do sector primário, por obrigação da política agrícola comum, não é de um momento para o outro que se pode restabelecer a produção que neste momento é deficitária. O sistema de imposição de quotas faliu. Muitos entendidos já tinham vaticinado que bastaria um problema com um destes “super-produtores”, como a França por exemplo, para toda a política ruir o que infelizmente se veio a confirmar.
Além do exposto anteriormente convém não esquecer aquele que é provavelmente o maior instigador do recente aumento dos produtos primários - a especulação!
Os fundos de pensões “americanos”, para quem não sabe dominam quase por completo o tecido empresarial e estão (omni)presentes em quase todas as maiores empresas do mundo, num momento em que não podem oferecer taxas elevadas devido ao mau momento que os EUA atravessam ocupam-se em inflacionar os bens essenciais, petróleo e ainda os metais ferrosos e não ferrosos.
Portanto, convém não enveredar pela “simplificação” e atirar as culpas para o consumo de bio-diesel.
Um dos pontos onde tem razão é que o custo/benefício em termos ambientais pode tornar-se nulo. Apesar do aumento de produção de espécies “verdes” poder contribuir para melhorar o ambiente, assiste-se em vários países à desflorestação, muitas das vezes através de queimas, em favor de terrenos cultiváveis.
Esta missiva já vai longa e haveria muito para discutir. Já existem alguns fóruns de discussão onde estes assuntos são debatidos há muito tempo que poderão elucidar um pouco melhor esta problemática.
@braço.
Diogo Lemos os biocombustíveis não são amigos do ambiente como o Hugo S. já pode comprovar, as emissões são iguais ou superiores (depende como é feita a colheita), só se usarmos B100 é que as emissões baixam e isso só com alterações profundas no motor e sistema de alimentação para evitar problemas a longo prazo.
Depois temos a questão da quantidade de terreno arável que é necessário para que esta seja uma alternativa viável e a situação que já ocorre, deixar de produzir para alimentação canalizando as colheitas para combustível. Depois o problema das monoculturas intensivas e a desertificação dos solos.
Infelizmente atrevo-me a dizer que, em vez de investir em fábricas de biocombustíveis acaba por ser mais inteligente investir numa plataforma de produção de hidrogénio, seja com recurso a energia solar ou eólica. Aqui sim, emissões 0 e com um custo ligeiramente inferior ao da gasolina.
Já agora, não querendo ser demasiado chato com longos comentários, reparem bem no engenho de algumas mentes portuguesas:
““Águas ruças” aproveitadas como fonte de energia
A Cooperativa Agrícola de Olivicultores de Murça vai testar um sistema de tratamento que transforma em fonte de energia as “águas ruças” e os bagaços, derivados da produção de azeite. O método foi desen-volvido pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que já registou a patente da descoberta.”
Quem estiver interessado em saber mais pode ir até ao fórum “NovaEnergia”:
http://www.novaenergia.net/forum/viewtopic.php?f=42&t=1517
Desculpa andar para aqui a colocar links mas este é deveras on-topic.
Uma voltinha por este fórum também não faz mal a ninguém…
@braço.
De onde se prova que nem sempre a evolução científica significa progresso para a Humanidade.
No final, os que menos poder de compra têm ficarão cada vez mais afastados do acesso aos bens essenciais à vida.
Daniel Marques,
Folgo em saber que há investimento em Portugal, conhecia projectos-piloto apenas no meio universitário, por cá. Este escapou-me por completo, muito devido à realização de projecto académico e início do meu estágio curricular, que me consomem muito tempo.
Existe um projecto nos Estados Unidos de produção de biocombustível. Situa-se numa central eléctrica e tem duas vertentes. As algas consomem o CO2 emitido pela unidade industrial enquanto produzem biodiesel. Em teoria é possível produzir 5,000 galões de biodiesel por cada acre.
Uma boa leitura sobre o assunto é uma reportagem da National Geographic Magazine, de Outubro de 2007, onde comparam os diferentes biocombustíveis, de acordo com a fonte, mostrando também o balanço energético. No entanto, relativamente às emissões de CO2, apenas comparam o que sai do escape, não contam com a poluição durante a produção. Por um lado, é compreensível, pois é muito caro efectuar uma análise a uma chaminé e é também muito complicado determinar a quantidade de dióxido de carbono emitida pela chaminé de uma indústria. Há que usar um padrão adequado à zona e ter em conta influências externas.
Há também que ter em conta que é possível optimizar os processos de produção, tornando-os menos poluentes.
http://ngm.nationalgeographic.com/2007/10/biofuels/biofuels-text
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jocaferro,
Esse projecto é deveras interessante, tendo sido dado a conhecer pelos media há bastante tempo. No entanto, este projecto ainda funciona? E qual a eficácia e a produção?
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Eduardo Maio,
A energia eólica é muito bonita, mas é necessário ter atenção ao local onde se irá situar o gerador, bem como ao impacto a provocar nas espécies autóctones, bem como nas migratórias. Há ainda a questão de os geradores eólicos ainda não serem, lamentavelmente, “aquela coisa fantástica”, sendo necessário vários para produzir energia suficiente.
Uma nota para outro comentário seu.
Quando escreve “Os biocombustíveis têm poucos anos no mercado e no entanto graças a eles já temos um aumento dos cereais, dos açucares e do óleo vegetal.”, refere-se aos mercado português, correcto?
É que no Brasil já se usa biocombustível há décadas. Mais precisamente desde a década de 1970 e do embargo petrolífero da OPEC. Nessa altura o Gen. Ernesto Geisel subsidiou a criação de unidades de produção, promoveu incentivos fiscais aos construtores automóveis para produzir carros movidos a etanol e na década seguinte quase todos os carros produzidos funcionavam a álcool.
Hugo S. apenas falei da energia eólica (que é cara) para mostrar que a electrolíse pode ser efectuada usando uma energia renovável não poluente (cara) e que fica com um custo final ligeiramente inferior ao da gasolina.
Não podemos cometer os mesmos erros do passado, apostando apenas numa fonte de energia porque os outros métodos não são “tão bons como deviam”, o futuro tem que passar por várias fontes energéticas e não apenas uma como acontece actualmente.
Em relação ao comentário sim, falo no mercado português. No Brasil felizmente não ficam de braços cruzados quando confrotados com um problema esperando que este se resolva sozinho
Eduardo Maio,
Quem me dera que a energia eólica, em conjunto com a solar já fossem capazes de suprimir as necessidades a nível global. Infelizmente continuamos muito dependentes de outras fontes.
No entanto, é possível produzir, através de processos integrados energia mais limpa a partir de combustíveis fósseis. Um exemplo é o da Central de Ciclo Combinado existente em Gondomar e que já pude visitar. Produz 330MW por cada um dos 3 geradores. Em cada um destes há um gerador a gás natural e outro movido a vapor de água, produzido com a queima do gás. É uma técnica interessante, pois o gás pode ser substituído por diesel em caso de necessidade.
Há que reforçar estes sistemas, optimizá-los, promovendo ao mesmo tempo o acesso às energias limpas, como a solar, a eólica, a maremotriz… O problema nestas infraestruturas é a necessidade de locais apropriados e o avanço tecnológico que pode trazer mais eficiência a estes sistemas, tornando as já erigidas ultrapassadas.
Há também que sensibilizar a população, sendo esta a parte mais complicada. Convencer as pessoas dos benefícios é fácil, fazê-las colocar em prática o que aprenderam é o mais difícil.
Tenho um exemplo interessante quanto a isto:
O estabelecimento de ensino que frequento é num edifício partilhado por uma empresa municipal. Após uma análise rápida verificou-se a inexistência de qualquer ecoponto. Falou-se com a direcção e nós, alunos, mexemo-nos para arranjar os contentores, que foram fornecidos pela empresa municipal responsável pelo ambiente. No entanto, o equipamento fornecido não estava nas melhores condições, mas isso era o menos importante. Sensibilizamos as pessoas, colocamos cartazes para ajudar na diferenciação e quando olhávamos para o ecoponto… Apenas nós e a funcionária de limpeza o usávamos. Então retirou-se os caixotes do lixo e colocou-se mini-ecopontos. Aparecia tudo misturado lá dentro. Colocou-se um caixote ao lado para lixo orgânico e os ecopontos deixaram de ser usados, indo tudo para o caixote.
Qual é a dificuldade de separar tendo todos os meios necessários à frente do nariz?
Enquanto o governo não promover as energias renováveis com mais força, atrevo-me mesmo a dizer forçar as pessoas a utilizar painéis solares para aquecimento de água e produção energética, tendo, como é óbvio, em conta a situação geográfica e a potencial produção anual de energia (pois o sol nem sempre está presente, nem em “quantidade” igual para todos).
Pode também promover a inclusão de biocombustível no combustível tradicional, dando benefícios a quem o praticar, afinal, até já a Fórmula Um utiliza combustível com 5,75% de oxigenados de origem renovável. Dario Franchitti venceu as 500 milhas em 2007 com um veículo a biodiesel, porque não implementá-lo no dia-a-dia?
Mais uma ideia, porque não promover os biocombustiveis, o hidrogénio ou mesmo motores eléctricos nos transportes públicos?
Sei que já houve/há projectos do género. Lembro-me que em Braga e também no Porto havia autocarros movidos com recurso a Fuel Cell (Hidrogénio).
Também existe uma central dessas no Carregado, usa a água do Tejo e com recurso ao gás natural aquece-a fazendo girar as turbinas. A única poluição é a do gás natural que é bem inferior à da queima do carvão ou gasóleo para produção de energia.
Em relação aos ecopontos, estou farto de pedir um para a minha rua e nada, devo ser o único a querer reciclar aqui, mas também desde que vi um esquentador juntamente com o papel e o cartão não me admira nada…
Em relação a esses autocarros, estiveram ao serviço da STCP em testes no programa CUTE (Clean Urban Transport for Europe) com site em http://www.fuel-cell-bus-club.com
Os biocombustíveis de primeira geração podem realmente não ser a melhor solução. Há como se sabe experiências em biocombustíveis de 2ª geração e estão planeadas experiências com biocombustíveis de 4ª geração (com microorganismos sintéticos a tratarem de “comer” tudo o que se possa dar-lhe que se transforme em combustível (ver Craig Venter por exemplo).
Tenho alguns receios quanto a esta 4ª geração, mas parece ser promissora.
@Daniel Mendes (uma senhora de idade…)
O teu post considera não uma evolução científica mas sim uma regressão. O biocombustível é o mais antigo combustível que conhecemos, salvo erro.
É errado pensar que se trata de uma novidade quando o “ciclo diesel” foi inventado tendo em mente este tipo de combustíveis e não os fósseis. Só mais tarde é que o “gas-oil” tomou conta das rédeas e veio para ficar.
@Hugo S.:
Conheço a central. Aliás, porque nasci em Gondomar e semanalmente, durante cerca de 4 anos diariamente devido a doença prolongada da minha avó, fazíamos o percurso S. Cosme / Melres onde viviam os meus avós paternos. Ainda sou do tempo em que essa Central “queimava” carvão que percorria “via aérea” dezenas de km desde S. Pedro da Cova até ao local…
@todos:
As formas/métodos de energia alternativas tem um custo, em $, muito elevado. Primeiro porque nunca se assistiu a uma massificação desta energias e sempre se enveredou pelo caminho mais fácil, leia-se petróleo, e em segundo porque o avanço tecnológico esteve estagnado durante décadas.
Como o Eduardo Maio disse, e muito bem, não é apenas uma forma/método de energia que solucionará a questão mas sim a combinação de várias formas/métodos. Essa é a solução.
Apesar do custo elevado o principal factor a ter em conta é o custo para o ambiente e este não pode ser avaliado através da mesquinhez dos $$$.
Um dos casos mais interessantes encontra-se nesta Ilha de S. Miguel - Geotermia. Neste momento injecta para a rede cerca de 42% das necessidades energéticas. A 3º fase está praticamente completa e passará a produzir entre 60 a 75%.
Note-se que numa ilha em que toda a produção provinha de grupos electro-térmicos a fuel esta solução foi um enorme passo em termos de futuro ambiental. Este processo está começar na Ilha Terceira.
Nas outras ilhas o recurso a energias eólicas tem sido o mote.
Existiu uma experiência piloto aproveitando as marés na Ilha do Pico mas num dia de mau tempo ficou tudo destruído. De momento encontra-se na prateleira embora corram uns rumores acerca de uma nova tentativa.
Uma grande novidade: (mais um link…)
http://www.wired.com/science/discoveries/news/2008/01/S2P
@braço.
jocaferro,
1. Não há aqui nenhum Daniel Mendes;
2. O Daniel Marques (caso se refira a ele) não é a pessoa que se intitula de “uma senhora de idade”;
3. O post não fala em biocombustível mas sim em biodiesel, não generalizemos o termo.
1. Peço desculpa - Daniel Marques;
2. “uma senhora de idade que passou por aqui” colocou o link deste site;
3. A generalização partiu da assumpção que todos os óleos servem para queimar e não só o biodiesel. Portanto, todo e qualquer óleo pode ser usado num motor ciclo Diesel pelo que também retirarão o grão do pão para o colocar no depósito.
Já que falamos em generalizar:
Fiz uma consulta através do Google, “onu e biodiesel”, e pude constatar que a ONU incentiva e até premeia o Biodiesel o que contradiz “vemos a ONU insistentemente a divulgar relatórios que apontam para uma rápida diminuição da alimentação disponível no mundo.”
Links:
- “ONU incentiva Biodiesel” (com prémios monetários…)
http://www.ceplac.gov.br/Noticias/200604/not00260.htm
ou
“USP ganha prémio da ONU com projecto de óleo de fritura”
http://www.ambienteemfoco.com.br/?p=6472
ou ainda
“ONU vê programa de biodiesel como exemplo”
http://www.orplase.com.br/?page=pages/noticia.php&n=93
Como se pode verificar não é a ONU num todo e muito menos insistentemente…
Apenas vi uma agência a alertar para o perigo enquanto várias andam a incentivar/premiar.
@braço.
jocaferro aliás nas ilhas não faz qualquer sentido andar a queimar gasóleo ou carvão. Assim de repente faz-me lembrar uma ilha no Japão onde existem 0 emissões (graças a um alto financiamento da Honda) aproveitando os seus recursos (muita precipitação) produzindo electricidade através de centrais hidro-eléctricas. Os automóveis são eléctricos, uns usam células de combustível (hidrogénio) outros baterias para armazenar a electricidade.
E em relação aos carros eléctricos, sejam eles a hidrogénio ou a baterias, é verdade que eles também poluem se a electricidade for produzida com recurso a fontes poluentes, mas é uma poluição controlada e evitam-se aqueles chicos-espertos que têm escapes directos e fazem reprogramações poluíndo bastante para ganhar uns míseros 5 ou 10cv.
jocaferro,
“uma senhora de idade que passou por aqui”, se reparar, não tem o link do site mas sim do post, que é o que acontece por defeito a quem deixa o campo do website em branco.
Biogás, é um biocombustível e não usa óleos alimentares.
Quanto à ONU, infelizmente as contradições não se resumem a este tema, mas fez bem em levantar a questão.
@Eduardo Maio:
Infelizmente, apesar de por cá chover um bom bocado, principalmente se atendermos aos Boletins Meteorológicos nacionais, não existem cursos de água assinaláveis. desta forma a energia produzida através de mini-hídricas é de um valor desprezível face ao total e não haverá muito a fazer neste campo.
Resta a Geotermia, nas ilhas onde é possível, a eólica e provavelmente a das marés. Esta última, segundo alguns peritos, pode vir a ter uma enorme vantagem face à eólica por se tratar de uma fonte de energia contínua e com poucas variações ao longo do dia/ano.
A solar, por enquanto, não dá. Se não bem verdade que por cá está sempre a chover, em abono da mesma verdade o céu está quase sempre nublado ao longo do ano. Ora, a tecnologia existente apenas permite baixos rendimentos face ao valor do investimento. Isto eu sei porque estou aliado a uma Firma que tem uma representação para os Açores e participei em vários testes efectuados.
Ainda ninguém falou do ar comprimido mas aproveito para chamar a atenção para esta forma de produzir e, muito importante, armazenar essa mesma energia.
Uma torre eólica a produzir ar comprimido e motores a converter ar em energia teriam enormes vantagens face às restantes alternativas, como por exemplo:
- Apenas ar envolvido. Esse ar depois de comprimido a alta pressão e descomprimido no propulsor sairia mais puro do que à entrada;
- Durante a compressão/descompressão existem enormes efeitos termodinâmicos que poderiam ser aproveitados para aquecimento/congelação;
- Um compressor destes quase dispensa a lubrificação e um litro de óleo vegetal daria para cerca de 4.000/5.000 horas de utilização;
- idem ponto acima para o motor que accionaria o gerador;
- transporte do ar até ao local onde se colocaria o motor através de tubagens o que em termos ambientais cilindra o actual transporte de energia através de cablagens ou condutores nús em linhas aéreas;
- o ar no escape estará a cerca de -15 a -25% ºC. Além de mais puro, devido às influências das trocas termodinâmicas, daria um belo ar condicionado;
- os compressores/motores a ar exigem cerca de 10% de manutenção da restante gama;
and so on…
Desvantagens:
Ainda está para nascer um motor extremamente eficaz…
Os que existem ainda não tem o melhor aproveitamento.
Mesmo com esta desvantagem, o ar comprimido tem o maior coeficiente de aproveitamento, que se traduz em mais de 90%.
Comparem com o hidrogénio…
Além da produção de energia também se poderia circular nuns carrinhos que até nem ferem a vista por aí além…
Uma volta bem agradável para todos os amantes do ambiente pode ser por aqui:
http://www.mdi.lu/eng/affiche_eng.php?page=accueil
@braço.
PS: Como me identifico sempre, assim como o restante pessoal, não tinha ainda reparado que o link era introduzido por omissão.
Quanto ao biogás/biocombustível, acho que me elucidei bem no meu ponto 3.