A derrota da liberdade encontra-se nas cedências
Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008 às 19:40
Um dos problemas com que o mundo contemporâneo se depara não é o terrorismo, porque esse já existe antes sequer de se começar a falar nele. O problema é o modo como a sociedade lida com o terrorismo. Dois acontecimentos recentes apontam que apesar das experiências vividas, o mundo ainda não adoptou uma postura que evite a alteração de hábitos de vida objectivados pelo terrorismo.
Façam o que eu digo, não façam o que eu faço
Vejamos o exemplo do cancelamento do fogo de artifício em Bruxelas. As autoridades já refugiadas num bunker cancelam o foguetório de ano novo, mas ao mesmo tempo querem fazer crer às populações que os hábitos, esses não devem ser alterados sob pena de cairmos nas mãos dos terroristas – o que a meu ver já parece estar a suceder-se, começando logo pelo facto do petróleo ser vendido precisamente por terroristas. Enquanto os Governos não se aperceberem que para os nossos carros andarem, teremos de alimentar lunáticos, as coisas tenderão a piorar. O terrorismo, a guerra, é totalmente paga por nós.
O rali onde os camelos andam mais que os carros

O Rali Lisboa-Dakar este ano foi ganho pela equipa da Al-Qaeda. Os responsáveis apontam que a alternativa de ir a Marrocos e regressar a Lisboa desvirtuava a prova. O cancelamento inédito em 30 anos e a cedência cobarde a terroristas já não desvirtua a prova, antes pelo contrário, esta medida convida a que para o ano haja mais participações externas à prova, se é que me faço entender.
Fazia todo o sentido evitar o cancelamento da prova, providenciar alternativas que evitassem pôr a descoberto uma cedência tão óbvia, primeiramente aos terroristas e depois ao Governo francês. Antes tivessem sido portugueses que o tratamento seria, obviamente diferente.
Permitir que o rali se realizasse, não só evitaria que uma grande quantidade de pessoas fizesse contas à vida, como permitiria a continuação do espectáculo, do negócio do turismo, criando uma indiferença a tais actos já praticados e actuais ameaças da organização terrorista.
Nuno Santos e João Rolo, pilotos da KTM, não se deixaram levar pela onda, tomaram a decisão mais acertada e vão partir amanhã do Mosteiro dos Jerónimos com destino a Marrocos.




Para o ano só cerca de metade das equipas inscritas é que terão capacidade financeira para participar, as equipas oficiais poderão ver as marcas a afastarem-se tal como aconteceu com a Land Rover e o defunto Camel Trophy e os pilotos particulares que se inscrevem exporádicamente vão ficar em casa, é que o Dakar perdeu muita credibilidade e para o ano ninguém nos garante que o rallye não seja novamente cancelado, basta uma nova ameaça pelos vistos.
Foi aberto aqui um precedente muito perigoso, mas eles lá sabem. Vamos ver se não será o fim do Dakar que não completou os seus 30 anos como dizem nos media, é que este ano não se realizou logo não conta…