Os descendentes do dodó
Sexta-feira, 16 de Maio de 2008 às 17:33
Ao que se supõe, os portugueses aquando da colonização da ilha Maurícia, uma das ilhas Mascarenhas na costa leste de África, terão tido contacto com uma ave cujo aspecto desajeitado levou a que se baptizasse de “doudos” (doidos). Uma outra característica desta ave era a ausência de medo das pessoas e o facto de ter asas, mas tal como as galinhas não tinham a capacidade de voar. Este animal é dado como extinto desde 1681.
Quando se fala da história dos descobrimentos, há sempre aquele lado da marmelada onde os portugueses iam para a selva papar as nativas. Mas quando me ponho a pensar naquele ar tolo que o dodó aparenta, semelhante a muitos dos comportamentos que assisto na actualidade tanto por via da televisão, como na rua, como aqui na Internet; começo por acreditar que alguns dos portugueses envolvidos nos descobrimentos e que chegaram àquela ilha inabitada, dada a ausência de nativas, optaram antes por realizarem cruzamentos com dodós.
O tuga-dodó já não tem asas, mas apesar disso os braços que agora possui têm tanta utilidade como as asas do seu antepassado. Já não tem as penas do bicho, mas o cérebro manteve-se.
Relacionado: [Greenpeace 404] [Dodó na Wikipédia]
Bassim, o amigo iraquiano
Terça-feira, 13 de Maio de 2008 às 9:00
O Luís Castro é repórter de guerra da RTP e coordenador do Telejornal, mas foi através do seu Cheiro a Pólvora que trouxe a história do Bassim até mim.
Bassim é um iraquiano que vive em Bagdade e que tenta oferecer a maior estabilidade possível aos seus filhos e à sua mulher. Tem sido também o guia de Luís Castro em todas as deslocações que este fez ao Iraque. Há muito que deixou de ser apenas o guia para ganhar o estatuto de amigo, e até de irmão. Luís mantém contacto telefónico com Bassim desde os tempos de guerra e quando vai a sua casa, terá de entrar sem que os vizinhos se apercebam da sua presença. É que o Bassim já não confia em ninguém, muito menos nas pessoas que vivem na sua rua. Bem, há uma excepção, confia no Luís.
Bassim, ao mesmo tempo que espreita para as casas ao lado. Nahala, a mulher, aproxima-se e cumprimenta-me à distância. Dou dois passos e estendo-lhe a mão. Ela, surpreendida, olha para o marido que a autoriza a devolver o gesto acenando afirmativamente com a cabeça.
Bassim é um antigo Major dos serviços secretos de Saddam, é actualmente o correspondente de um jornal japonês. Já foi convidado para voltar à espionagem, desta vez ao serviço da CIA e sob a patente de Coronel. Bassim também já disse várias vezes não à resistência, prefere ser jornalista.
Bassim pagou caro essas recusas. Foi atacado pelas milícias e não conseguiu qualquer ajuda dos americanos. Teve que fugir para a Síria. Agora, de regresso a Bagdade, diz-me que a liberdade deixou de ser prioridade para ele. “A segurança vem primeiro, só depois a democracia. Como poderemos decidir o nosso futuro se temos medo? Como serei livre se não me sinto seguro? Como poderei educar os meus filhos se os raptam e matam à saída das escolas? Acho que todos estes sacrifícios não valeram a pena, pois antes tínhamos um ditador, agora temos dezenas.”
Três dias após a visita do Luís, alguém terá dito aos militares que Bassim levara estrangeiros para a sua casa. Revistaram a sua casa e o seu carro à procura de armas e explosivos. A mulher e os filhos vivem assustados.
Entretanto com o Luís Castro já em Portugal, chega a notícia que o Bassim teve de fugir de casa com a sua família. Recebeu uma ameaça de morte através de um bilhete deixado debaixo da porta. Ao que parece a resistência soube que o Luís esteve em casa do Bassim, para a resistência ele estará a ajudar americanos. Bassim ainda tentou enviar-lhes uma mensagem elucidando que se tratavam de portugueses. Como não conseguiu, achou por bem mudar-se para outra zona de Bagdade antes que surgisse outro ataque, desta vez com a promessa de não falharem.
Agradece muito a todas as pessoas que se têm preocupado comigo e com a minha família.
Estou muito confuso. Não foi fácil mudar de casa em Bagdade e estou a tentar dar à minha família o conforto possível, como electricidade, por exemplo. A minha filha está a estudar para os exames. Quero minimizar-lhes o sofrimento.
Tenho meditado muito sobre o que fazer. Talvez arrisque sair novamente do Iraque e volte a tentar obter o estatuto de refugiado, mas, por agora, é melhor deixar que as crianças acabem o ano escolar. Sinto que estou a envelhecer rapidamente neste Iraque. Acredito em Deus e tenho a certeza de que Ele me irá indicar o caminho a seguir.
Li os comentários que os portugueses deixaram no teu blogue. São como que irmãos na Humanidade. É bom sentir que não estou sozinho e que há quem se preocupe comigo.
O Cheiro a Pólvora é uma delícia, sempre com histórias intensas. É lá que recebemos as notícias daquele que para nós já é um amigo, o Bassim. Infelizmente, por norma as notícias não são as melhores. Ainda a tentar recompor-se da mudança abrupta de casa, arrebenta-lhe uma bomba a vinte metros da sua porta. Bassim aponta as duas coisas mais importantes no Iraque: a segurança e a electricidade. As duas são escassas, e a falta de electricidade faz com que tenha de ficar doze horas por dia sem água fresca, numa altura onde já se fazem sentir temperaturas de 40 graus em Bagdade. Paralelamente não pode sair de casa depois das sete ou oito da noite.
Bassim começa a entrar em desespero e quer novamente tentar sair do Iraque com o estatuto de refugiado. Já o tentou uma vez sem resultados. Tem família no Canadá, na Suécia e na Holanda, mas o Luís considera que a escolha do norte da Europa é a melhor, já que se trata de um povo mais aberto a estas causas.
Ocorreu-me a ideia de se realizar um vídeo e publica-lo no YouTube com o intuito de divulgar esta história verídica, na esperança que alguém com poder possa ajudar o Bassim, os seus filhos e a sua mulher. O desafio foi aceite pelo Bassim. Aguardo a todo o instante que cheguem mais notícias de Bagdade. Se alguém souber como ajudar este homem e a sua família, poderá entrar directamente em contacto comigo que tratarei de reencaminhar a mensagem.
Tréguas à Portugal Telecom
Domingo, 11 de Maio de 2008 às 16:48
Após este e-mail azedo que enviei à PT, posso-vos dizer que valeu a pena pois a empresa mudou totalmente de atitude comigo. Recebi uma resposta positiva quanto à alteração de morada sem que me voltassem a questionar por toda aquela papelada e procedimentos que me exigiam ao inicio. No mesmo contacto informavam que em relação à troca de equipamento eu iria ser contactado telefonicamente. E assim foi, recebi uma chamada da Portugal Telecom para o meu telemóvel a dar-me as indicações como deveria proceder, dando a garantia que me poderia dirigir a uma loja da PT e trocar o equipamento sem mais nenhum obstáculo.
Desconfiado pelo facto de primeiro serem eles a telefonarem-me, depois pela simpatia no atendimento, e por fim o facilitismo para a troca do equipamento; lá sigo eu para a loja da PT. Já na loja, o funcionário questiona-me por um comprovativo de compra do equipamento. Expliquei-lhe calmamente a situação que a PT me descreveu telefonicamente. Sem nenhuma outra questão, apercebo-me que o funcionário navega pela minha ficha silenciosamente, e sem emitir qualquer som daquela boca levanta-se, sobe umas escadas e passado pouco tempo regressa com uma outra caixa. Quando se aproximou novamente de mim questionou-me: “Tem consigo a identificação de utilizador?”, ao qual respondo positivamente. Enquanto acondiciona o novo equipamento dentro de um saco enorme, replica: “Óptimo! É que sem isso não consegue ter acesso. E desculpe lá, mas não tenho sacos mais pequenos.”
Quando chego a casa deparo-me com duas mensagens no correio electrónico: uma do 16200 a disponibilizar-se para resolver qualquer outra dúvida ou questão que surja; e outra imagine-se, da Telepac Técnica, a questionarem-me se pretendo ver o novo equipamento enviado para a nova morada. Lá lhes respondi que já me dirigi a uma loja da PT e que efectuei a troca, ao qual no mesmo dia me enviaram novamente um e-mail, desta vez com um questionário de escolha múltipla para avaliar a forma como fui atendido em todo este processo. E digo-vos, a melhor coisa que fiz em todo este processo foi mesmo evitar o atendimento do SAPO.
Finalmente ontem já pude testar o novo modem apesar do pouco tempo disponível, mas mesmo assim fiz o essencial: a configuração com os dados de cliente do SAPO, configuração da ligação DSL; e lá estava eu a “assapar”. Aproveitei para fazer uns testes de velocidade que me deixaram convencido, mas o que me deixou mesmo à toa foi quando me lembrei de ir ver os valores da ligação e ecoou na minha cabeça: “4dB de atenuação?!”. Isto é bom demais para ser verdade, vem confirmar a minha desconfiança quanto à presença de uma central remota algures nas redondezas!
Enfim: morada corrigida, equipamento substituído, linha telefónica com uns valores fora de série. Paz!
Encontrar o sentido das coisas
Sexta-feira, 9 de Maio de 2008 às 21:06
Dentro de mim existe um relógio orgânico que num intervalo de tempo lança um impulso para o meu cérebro (sim, eu tenho um!), esse impulso levanta sempre a mesma questão: fará sentido eu aqui andar? Fará sentido fazer aquilo que estou a fazer precisamente agora?
Já perdi as vezes que virei as costas a meio de projectos de vida porque achei que o caminho que estavam a seguir não me realizava. Também sou assim com as pessoas, e digo-o sem papas na língua. Ou tudo aquilo em que me movimento faz sentido, ou parto a loiça.
Nem sempre é fácil arranjar resposta à questão levantada. Gosto muito de coisas simples, e se as coisas forem simples é já meio caminho andado. Muitas vezes gostaria de seguir dois caminhos diferentes ao mesmo tempo, descobrir qual o melhor e só depois optar por um definitivo. Dizem que os nativos de Gémeos são assim mesmo. A vida não é simples, até porque não sabemos para onde ela se dirige, mas o que ela tem de bom são mesmo as coisas simples.
Isto para dizer que há pouco fui ao Google Analytics e verifiquei que diariamente os que aqui passam já não cabem num táxi, nem num autocarro. E que mesmo assim já não cabem na maioria dos aviões comerciais da frota da TAP. Por isso, tudo isto continua a fazer muito sentido.
As críticas mais comuns que são feitas ao Mais Gasolina
Quinta-feira, 8 de Maio de 2008 às 8:58
O Mais Gasolina tem sido alvo de algumas críticas/acusações, principalmente por pessoas que desconhecem o projecto tirando logo ilações precipitadas. Procuro com este artigo responder a algumas dessas críticas.
Tenho reclamações a fazer relativamente aos funcionários dos vossos postos de abastecimento.
O Mais Gasolina não é proprietário de nenhum posto de abastecimento nem possui um Departamento de Recursos Humanos. As reclamações deverão ser dirigidas aos responsáveis dos postos de abastecimento cujo contacto poderá encontrar nas páginas amarelas.
Dirigi-me a um posto de abastecimento e o preço praticado não corresponde à informação disponibilizada no site. Vocês disponibilizam informação incorrecta!
Os preços dos combustíveis sofrem variações, sendo que a informação disponibilizada no Mais Gasolina é acompanhada de uma data referente à última actualização. Deverá ter em atenção essa data e caso possua informação mais recente deverá colaborar e partilha-la. Não espere que outros actualizem os preços por si. O serviço é comunitário, onde as pessoas deverão dar para também receberem, é assim que funciona este sistema. Ninguém se disponibilizou – apesar do Mais Gasolina ter contactado as respectivas entidades – a nos prestar informações oficiais, logo, a única hipótese é que os consumidores se unam e partilhem a informação. A nossa parte será disponibilizar-vos as ferramentas que permitam essa mesma partilha de informação.
Vocês estão afectos às petrolíferas!
Este é o tipo de acusação de quem não faz a mínima ideia do que se trata o projecto. Não, não estamos afectos a nenhuma petrolífera nem estas nos vêm com bons olhos, e na realidade as empresas que se registaram para actualizar os seus próprios postos até são as que praticam os preços mais baixos (Auchan, Intermarché, E. Leclerc…).
Vocês querem é fazer dinheiro!
Nem queira saber o quanto estamos ricos. É que a receita além de não pagar os dias e noites perdidas ao longo de meses e meses de desenvolvimento para que o projecto visse a luz do dia, também não paga as despesas com o servidor, nem tão pouco as despesas com combustível que ainda temos por actualizarmos alguns postos de abastecimento por iniciativa própria. Há sempre a opção de cobrarmos uma mensalidade aos utilizadores do serviço, mas isso não faz muito sentido, não é?
Como de costume, as ilhas são sempre esquecidas, não somos também Portugal?
O Mais Gasolina tem como parceiro tecnológico o Google, onde utilizamos a API do Google Maps, o único que nos dá liberdade para fazer aquelas coisas bonitas nos mapas. O Google Maps tem uma limitação geográfica, não nos fornece mapas dos arquipélagos da Madeira e dos Açores. Contactámos a responsável do Google Maps, a nossa amiga Pamela Fox, que nos informou que até ao final do ano não estarão disponíveis mapas referentes aos nossos arquipélagos. Assim, que fique bem claro que não se trata de uma opção nossa, mas antes uma limitação que nos foi imposta. E de outro modo, tentamos fazer o melhor que sabemos com as ferramentas que nos disponibilizam. Estamos a ponderar a abertura do nosso directório ao arquipélago da Madeira e dos Açores, mas isto não resolve o problema relativo à ausência dos postos de abastecimento no mapa. E que fique bem claro que o Mais Gasolina é uma iniciativa de cidadãos portugueses, não tendo que carregar nos seus ombros qualquer obrigação de prestação de serviços. Assim que possível, iremos alargar o serviço aos nossos arquipélagos.
Se mesmo assim, não se encontra convencido com as minhas respostas, lanço-lhe desde já um desafio: faça melhor que nós!
Em alternativa a isto tudo, poderá tentar persuadir as outras pessoas a boicotarem produtos das grandes petrolíferas, nós sabemos que o mass-mail dá óptimos resultados, além de que você não terá de levantar o rabo nem mexer uma palha. É mais cómodo, e os resultados estão à vista.
Evolução do preço dos combustíveis
Quarta-feira, 7 de Maio de 2008 às 17:03

Eu sou suspeito para falar, mas tenho muito orgulho do Eduardo, principalmente por ser meu amigo e também pelo magnífico trabalho que desenvolve. Este gráfico foi desenvolvido por ele, foi trabalhoso, mas digam lá se não está bonito! É a mais recente funcionalidade do Mais Gasolina e está disponível à vista de todos na área das estatísticas.
José Manuel Coelho feat. Flava Flav
Quarta-feira, 7 de Maio de 2008 às 12:45

Deputado José Manuel Coelho vs. Rapper Flava Flav
Jóia de 50 Cent reaparece na ilha da Madeira
Terça-feira, 6 de Maio de 2008 às 20:50
O último concerto do rapper norte-americano 50 Cent, realizado na capital angolana, terminou abruptamente quando um espectador subiu ao palco e lhe tirou a jóia que trazia ao pescoço. Paralelamente surge hoje a notícia que o deputado madeirense do PND, José Manuel Coelho, apresentou-se em plenário da Assembleia Legislativa da Madeira com um relógio de cozinha ao pescoço.
A aparição deste relógio de cozinha é suspeita, principalmente quando é conhecida a apetência dos rappers por objectos volumosos pendurados ao pescoço.
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- Bruno Miguel: ROFL! Apesar de ter piada, tenho que defender a honra dos Dodós - paz às suas alma. Mesmo incapazes...
- dissidentex: Daniel: isso é paranóia tua. Quanto mais te expões mais doidos de aparecem? naaaa, isso deve ser...
- dissidentex: Daniel: obrigado pelo link. Esse bicho foi extinto porque, ao que parece, não tinha medo das pessoas....
- Jorge da Costa: A vida no Iraque infelizmente não se pode disser que tenha melhorado. Da minha parte espero que tudo...
- José Santana: É sempre com grande emoção que leio o blog do Luís Castro, e esta situação vivida pelo Bassim e...
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- Mais Gasolina • Directório interactivo de postos de abastecimento de Portugal com preços actualizados.



